Não estou viajando, sei muito bem que ninguém lê aqui. Mas, ei!, eu precisava colocar um ponto-final, mesmo sendo péssimo para pontos-finais. Ok, aqui vai um email que acabei de escrever para a Andreza. Se você gosta de ler emails dos outros, sirva-se. Beijos de não me vejo mais.
Oi Andrezaaaaaaa!
Resolvi te escrever antes de tentar escrever o poema que quero escrever. Jamais saberei se escolhi a ordem certa, talvez fosse melhor escrever esta mensagem depois. Enfim. Este poema tem se inclinado sobre mim há dias já. Esse negócio de ter o (zeropontoum) é uma dádiva. Porque todo mês eu quero um poema novo e, convenhamos, não é nenhum querer absurdo. Daí, pra primeiro de julho, eu tenho dois aqui novos. Os dois razoavelmente bons. Mas daí acontece que venho querendo escrever outra coisa já há dias e várias idéias ficam aqui passeando... "rondando" o poema, como aves de rapina. shshshsh Pensei nessa imagem agora, achei engraçadinha. A propósito do zeropontoum, vou desativar... os COMENTÁRIOS daquele negócio. As reticências seguidas de 'caps lock' (você conhece o termo 'caixa alta', eu quis usá-lo mas... não sei) deram algum suspense? shshsh Era pra dar. Mas ninguém comenta! Isso não é chantagem... shshshsh é só um comentário mesmo. Ei, acho que estou usando mais reticências que você.
Ainda sobre a poética, talvez eu seja rude ao dizer isso, mas acho que você deveria trabalhar mais, sabe? Quantos ciclos de poemas diários você teve recentemente? Acho que isso seria interessante. E também fazer uns exercícios de cópia de autores: "me dê um poema falso de João Cabral!". shshshshshhs Tenho a impressão de que tudo pra você - até Deus, veja só - vem com muito estudo e não sei se você estuda sua própria poesia. E acho que você devia. Continuo gostando dos seus versos, acho que você realmente tem tino pra isso. Continuo achando. Não é como a Ísis, por exemplo, errante. Se ela fizesse sempre, pelo menos... E você não é errante... mas também é pouco producente, né? Um pecado isso, Andreza. E não que eu seja melhor que isso, mas não sei. É que, no fundo, eu ainda preciso de mais leitura e de uma "mente mais poética". O que tenho agora é simplesmente uma "mente de palavras". Mas você... você já leu bastante e tem uma aproximação com as palavras em verso que vai além do encantamento com cores e sons, não? Eu acho. E assim, você deveria exercitar. No melhor estilo exercício mesmo. hshshshshsh "Hoje vou fazer cinco versos com o abdômen!" (acentuei abdomen certo? não vou olhar no dicionário!)
Ei, será que voltaremos a nos escrever? Eu sei que isso é pecado, mas eu estou me permitindo e, diria mais, me estimulando a ser verborrágico. Deu vontade. Olha, eu realmente jamais vou entender o que é ser um "acadêmico", sabe? Então, eu realmente gosto de te ouvir falar a respeito, mas jamais poderia falar concretamente sobre. Já me pareceu uma idéia repulsiva, hoje me parece até interessante. Até! shshhshshshshshs É que eu fiz umas escolhas na adolescência, sabe? (tecnicamente, acabou a adolescência! shshshsh quem dera!) E, nessas escolhas, eu me despi de coisas muito legais em troca de outras, que não sei. Eu decidi ser uma pessoa mais comum, saca? Não que eu seja normal... mas eu, deus, eu até perdi vocabulário! Não sei porque fiz isso, mas foi necessário.
Você já parou pra pensar no fato de que, quando nos conhecemos, eu te olhava de baixo para cima porque era inseguro e agora não olho mais? Te incomoda? Eu acho que me incomodaria. shshshhs Pensei nisso porque recebi seu cartão. Muitíssimo obrigado, aliás. Achei a foto bonita - diferente, diferente. Mas fez sentido logo. Nossa, é realmente muito tempo, né? E nada me tira da cabeça que só estamos aqui porque eu faço questão! hauahauahauahauahaua Sério mesmo, você sabe. Concorda?
Hum, sinto falta da Thaísa, do tempo em que eu estava decifrando Marcel. Aliás, foi meu maior estudo até hoje. hshshs Eu falo isso quase sério. "Estudo". Mas sabe, eu desenvolvi a teoria de que, geralmente, você carrega um mesmo peso desde a infância. Talvez isso até se concilie com a idéia de carma. E o meu certamente é a falta de atenção. O déficit. Tanto de pai quanto de mãe. Apesar de eles não serem doidos que me abandonaram, óbvio. Mas há sim um déficit. E é isso que me faz falar alto, ser pensante, criar criar (por enquanto é só... "pensar pensar", mas eu pretendo mudar isso! shshsh). E daí essa busca por ser o centro de atenções e essa atração por quem é centro de atenção e essa tentativa de entender o que é, afinal, "carisma".
Sinto falta também da Ísis - tinha um tempo em que ela cabia tão certo em nós. Nos melhores momentos quase fomos um trio, e isso seria a dream come true. shshshshs Sinto falta da Dora, nossa. Muito agora. Sabe, não é necessariamente a maior crítica literária do mundo (não estou usando essa construção pra falar que ela é uma má crítica, fique claro), mas é alguém que se interessa em palavras e gosta delas e busca. E, na maioria das vezes, vêm elogios, o que é muito bom! hauahauahauahauahau Mas os elogios avaliam, mergulham no que ela gostou, sinto falta disso.
Sobre a UF, você acha que greve adianta? Eu acho que seria mais fácil fazer passeatas, quebrar umas vidraças, contratar um bom assessor de imprensa (hello!) e fazer uma megacampanha na mídia. Talvez as greves funcionem em empresas privadas: as pessoas podem procurar outra empresa e o empresário não pode demitir, então tem que haver uma negociação. Mas em empresa pública? O governo mal se importa. Fora isso, em certos casos chega a ser cruel. Eu acho que bateria num médio de PS em greve. Eu vi algo no telejornal Hoje esses dias assim.
Bom, querida, vamos ao poema. Bem construído, bem Andreza. Sabe, eu sinto falta de pontuação quando te leio. Talvez seja só um dogma particular. Eu talvez até conseguisse não usar pontuação. Mas só usar "pontuações especiais" (: ; e afins) não. O título é bem legal. A primeira estrofe é sublime, muito empolgante. A segunda segue isso até "frias". Não há como ler "frias" e não pensar no significado primário de frio. Mas eu não mudaria mesmo. Depois, continua bem legal, mas eu não gostei de "musicais". A torcida grita Tira! Tira! Tira! hshshshs Desnecessário, óbvio. Depois, de novo, um terceiro verso desnecessário: "o clima". Mesmo porque "clima" é uma palavra esquisitinha, né? Eu não sei se tiraria ou se mudaria ou o quê. Deu pra entender a oposição entre os dois sóis maiores, idéia interessante, ativando olhos e ouvidos, mas não precisa ser tão marcada? Ou precisa? Mas esse verso do "clima" é legal, na verdade. Talvez ficasse melhor sem, mas isso tem que ser experimentado, não dá pra simplesmente imaginar. Daí, a estrofe que traz as palavras "mais-valia", "réu" e "globo" pesa um pouco. Minha cabeça estava em outro lugar, sabe? Talvez fosse melhor deixar minha cabeça lá mesmo. Ou, se fosse pra mudá-la de lugar, fazer isso na próxima estrofe também e até o fim. Em "toda luz da cidade", você ainda muda minha cabeça de lugar, mas de forma sutil, bonita. Eu estava lá pensando em céu e sol e agora apareceu "cidade", mas eu cheguei pela luz. Bem melhor que chegar pelo réu. Não sei se repetira "sol maior" no fim. Talvez uma vez só. E o "e bem melhor" não ficaria melhor mais marcado? Talvez como "e vírgula bem
melhor" ou talvez num verso só dele.
Bom, se a sua reação for a reação que as pessoas têm quando eu avalio alguma coisa, você deve estar branca agora. shshshhshs Exagero, mas eu sou geralmente chamado de cruel. Não se preocupe, eu só levantei um monte de dúvidas, partindo da pergunta "será que o que eu gostaria de ler é isso?" e expliquei meus motivos - você sabe muito bem que não tenho conhecimentos para avaliar nada, então só digo sim ou não e por quê. Então, me explique o poema depois. Ou pergunte sobre o que eu disse e você não entendeu. Enfim, eu gostei bastante do poema, mas é muito difícil explicar porquê se gosta de uma coisa, né? E se preenche tão poucas linhas quando se tem certeza!
Hum... acho que essa frase explica o tamanho desse email. E porque eu falo tanto.
Escreva-me sempre que achar que vale a pena ler uma resposta quilométrica e verborrágica minha. hauahauahauahu Eu te desafio! ;=)
Beijões Andreza,
Pedro.